Como desgasificar os seus eluentes


A desgasificação dos eluentes em HPLC é um passo importante para garantir uma elevada sensibilidade e limite de detecção no seu método de HPLC.

A existência de excesso de oxigénio dissolvido no eluente promove a formação de pequenas bolhas que, ao passar na célula de detecção, pode causar leituras erróneas da absorvância (UV-VIS), fluorescência ou índice de refracção e, no caso de detectores electroquímicos, interferir com a reacção redox dos analitos no eléctrodo. Em casos mais extremos, as bolhas podem ficar alojadas na célula de detecção, um problema que se torna um desafio para sanar.

Os 4 métodos utilizados para desgasificação em HPLC são: sonicação, vácuo, aspersão de hélio e desgasificação em linha.

Sonicação

A desgasificação por sonicação consiste em submeter os eluentes a sonicação num banho ultra-sónico durante um dado período de tempo, entre alguns (2-3) a vários (30) minutos. Ao sujeitar uma solução a ultra-sons, as ondas sonoras promovem a criação de bolhas, aumentado a sua superfície e forçando-as para fora do reservatório, obtendo assim a desgasificação da solução. Foi o 1º método utilizado para a desgasificação de eluentes para HPLC numa altura em que os métodos eram quase exclusivamente isocráticos porém, quando os detectores tornaram-se cada vez mais sensíveis e os métodos com gradientes de solvente se popularizaram, a sua eficácia provou-se insuficiente.

Vácuo 

A desgasificação por vácuo consiste em submeter o eluente, num reservatório fechado, a vácuo. Uma vez que todos os eluentes devem ser filtrados antes da sua utilização no HPLC, a filtração sob vácuo é uma excelente e fácil solução, conjugando duas soluções para dois problemas. Nas décadas de '70 e '80, era também vulgar realizar a filtração sob vácuo com o frasco de recolha de solvente mergulhado num banho ultra-sónico, incrementando a eficácia. Tal como a sonicação, são métodos de eficácia limitada e adequados para métodos isocráticos.

Aspersão de hélio

Nos finais da década de '80, a popularização dos métodos com gradientes de solventes originou uma demanda por sistemas que o permitissem realizar. Ainda que no início os gradientes eram obtidos a alta pressão conjugando 2 bombas de HPLC em sincronia, alguns fabricantes começaram a desenvolver sistemas de gradientes a baixa pressão, em que a mistura de solventes colocava um tremendo desafio por gerar bolhas causadas pela mistura de solventes de distintas viscosidades. A solução foi dotar os equipamentos de uma entrada de um gás de elevada difusibilidade - hélio - o qual saturava os solventes substituindo-se ao oxigénio e, ao ser sujeito à compressão da bomba, era expulso sem criar bolhas. Sendo a solução mais eficaz, ainda hoje, o seu custo e a necessidade de uma botija ou linha de gás tornou-se um obstáculo a uma vasta utilização.

Desgasificação em linha

No final da década de '90, a generalidade dos fabricantes passou a incorporar como opção padrão desgasificadores de solvente em linha. Os desgasificadores em linha são unidades portáteis de 1 a 6 canais/linhas de solvente na qual o eluente passa por um tubo de material quimicamente inerte mas de elevada permeabilidade para gases, o qual é sujeito a a uma atmosfera sob vácuo. O vácuo remove o gás dissolvido em cada linha, resultando num eluente livre de gases. Estas unidades podem ser fornecidas como acessórios, como se pode ver no link abaixo.

Desgasificadores em linha

Em resumo:

1. A sonicação e a filtração sob vácuo são métodos de eficácia limitada e intrinsecamente adequados para métodos isocráticos.

2. A aspersão de hélio é o método mais eficaz mas, a longo prazo, torna-se oneroso.

3. A desgasificação em linha é eficaz e actualmente constitui o padrão da indústria.

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