Filtração em HPLC


Um dos pontos cruciais para a longevidade de colunas e sistemas de HPLC é a filtração daquilo que inserimos num sistema de HPLC, sejam amostras sejam eluentes.

É fundamental não esquecer que uma coluna de HPLC utiliza como enchimento partículas de 3 e 5u, quando não de diâmetro inferior, pelo que o espaço intersticial é diminuto e suscetível de ser colmatado por partículas em suspensão, seja na amostra ou seja no eluente.

Por outro lado, para gerar elevadas pressões e manter a sua estanquecidade, as bombas e válvulas de injecção de um sistema de HPLC utilizam vedantes, retentores e válvulas que podem danificar-se caso sejam sujeitas a partículas provenientes dos eluentes e, no caso dos injectores, das amostras.

Como tal, é fundamental que todas as amostras e todos os eluentes sejam filtrados com filtros adequados.

A escolha dos filtros depende de vários factores:

  • Do eluente/solvente da amostra (aquoso, orgânico ou mistura)
  • Do tamanho da partícula da coluna (maior ou menos que 3u)
  • Do volume de amostra a filtrar

Caso o solvente seja 100% orgânico, a membrana do filtro a utilizar deve ser em PTFE, dado ser virtualmente inerte à generalidade dos solventes orgânicos. Porém, não deve ser utilizado para filtras solventes aquosos ou misturas com solventes aquosos, uma vez que sendo hidrofóbico, a pressão para filtrar pode levar à ruptura da membrana.

Para solventes aquosos, a melhor opção é o acetato de celulose (CA), compatível com a generalidade dos sais e tampões utilizados em HPLC, sendo uma membrana de custo económico.

Para misturas de solventes, por exemplo em métodos isocráticos, a opção mais económica são as membranas em Nylon, as quais também podem ser utilizadas para filtrar solventes/tampões aquosos e solventes orgânicos como o Metanol e o Acetonitrilo.

Outra opção disponível são as membranas “universais”: nesta categoria cabem as membranas de celulose regenerada (RC) e PTFE Hidrofílico, excelentes para a generalidade dos solventes e misturas mas cujo custo é elevado - cerca do dobro - das equivalentes em CA, PTFE e Nylon.

Outro factor a levar em linha de conta é o tamanho de poro, que está directamente relacionado com o tamanho de partícula da coluna. O ideal é utilizar sempre filtros de 0.22u mas, por vezes, devido à viscosidade dos solventes, a filtração é lenta. Assim, caso os métodos utilizem colunas de 4u ou superior, não há inconveniente em utilizar filtros de 0.45u.

No que toca às amostras, as mesmas devem ser sempre filtradas em filtros de seringa. A escolha do diâmetro dos mesmos depende do volume de amostra a filtrar:

  • se a sua amostra é inferior a 3ml, utilize filtros de seringa de 4mm.
  • se a sua amostra tem entre 2 a 10ml, utilize filtros de seringa de 13mm.
  • se a sua amostra tem entre 10 a 100ml, utilize filtros de seringa de 25mm.

Pontos a reter: 

  • nunca use nenhum solvente que não seja filtrado por si ou um colega: não se fie nas garrafas de solvente que dizem que estão filtradas nem na água que sai dos sistemas de purificação, pois os filtros podem ser de 0.8u e frequentemente adicionará à água um tampão ou modificador de fase, que também deve ser filtrado.
  • nunca injecte uma amostra sem ser previamente filtrada num filtro de seringa.
  • consulte o nosso Guia de Selecção de Filtros para obter informação pormenorizada sobre a compatibilidade química das membranas de filtração.

Bons cromatogramas!